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Mano Lima se apresenta em Tapurah com show tradicionalista no CTG Carreteando Saudades

Show foi mesclado de música gaúcha e mensagem de fé e paz. Cantor defende que o povo brasileiro precisa atualmente mais de mensagem positiva de fé do que da música

Publicado 27/05/2019 - 09:20 e atualizado 27/05/2019 - 09:48
Por: Roberto Paulo/Da redação

O cantor Mano Lima, um dos maiores nomes do nativismo do Rio Grande do Sul se apresentou no Centro de Tradições Gaúchas (CTG) Carreteando Saudades, em Tapurah no último sábado (18/05), onde cantou seus grandes sucessos para aproximadamente 500 pessoas. Conhecido por seus fãs no Rio Grande do sul como o filósofo dos pampas, Mano Lima iniciou sua carreira artística em 1989 e se caracteriza principalmente, em suas composições e canções, por sua irreverência, pelo uso de um linguajar rústico, próprio do gaúcho nascido e criado no interior. Suas músicas tem como instrumento principal uma gaita de botão, que ele mesmo toca. Ele é considerado o segundo maior cantor nativista do Rio Grande do Sul.

 Em entrevista exclusiva ao jornal Caiabis, Mano Lima falou de sua história, do seu Estado (Rio Grande do Sul), da fé e de seu sucesso na internet.

Jornal Caiabis: Como é ser um artista gaúcho cada vez mais requisitado a retornar ao estado de Mato Grosso?

Mano Lima: Pra mim é muito bom. Até pouco tempo atrás eu não saía do Rio Grande do sul, e passei a vir para esta região a convite de um amigo que me convenceu a conhecer o Mato Grosso. Eu não vinha pra cá, não por que não queria vir, todo o artista brasileiro quer ser divulgado em todo o território do país e eu não fazia muita questão por que acho que a gente judiava muito das pessoas que nos contratavam, por que saia muito caro o valor do show e as pessoas que gostam da gente sofriam muito para pagar o cachê, além de que, a gente ainda não tinha um público nesta região que desse respaldo a eles (contratantes). Vim pela primeira vez em Lucas do Rio Verde há mais de dez anos atrás e vi que encheu o salão e me animei com a ideia e com a região.

JC: Como você avalia o seu sucesso na internet que o elegeu o destaque do Rio Grande do Sul em 2018?

ML: Na verdade eu não sei lidar com a internet, mas devo grande parte do meu sucesso à ela. Hoje com a internet nós temos a facilidade de mostrar quem nós somos, pois antigamente muita gente ficava em dúvidas de quem a gente era, e ficavam criando imagens dos artistas, tipo, isso é um grosso, isso é um animal, esse é um cara culto, esse é um verdadeiro e isso é uma mentira, e você não tinha como saber a realidade. Hoje a internet nos proporciona a possibilidade de saber quem é quem e as pessoas participam mais e interagem com o seu artista através da internet, e eu devo todo o meu sucesso a ela.

Eu tinha muitas pessoas que gostavam das minhas músicas, mas se tornaram meus fãs a partir de que me conheceram melhor. É importante que se conheça o seu artista, pois, muitas vezes você gosta de um artista, mas ao conhecê-lo você tem uma decepção. Isso é como beber água numa vertente, não se bebe água de uma sanga sem conhecer a fonte de onde ela vem, pois você pode estar tomando o caldo de uma carniça achando que está tomando uma água limpa, então você precisa ir na fonte pra ver se realmente é pura ou não, e a internet nos dá essa possibilidade de as pessoas conhecerem melhor os seus artistas.

JC: Nos seus 30 anos de carreira, qual o maior sucesso?

ML: No momento é a música “Me dá um Xuxi”. Das músicas mais antigas tem a Cadela Baia, mas essa é sucesso mais lá no meu Estado. A música que saiu fora do Rio Grande do Sul foi o “Sushi”, queira a Deus que ela continue tocando em todas as regiões do Brasil. Lá no Rio Grande do Sul, quando a gente fala que a nossa música não penetra em outras regiões do país, na verdade tem muita culpa de lá (Rio Grande do Sul), pois o gaúcho é muito complicado, por que, se a música estoura pra cá, de repente eles (gaúchos) te abandonam, porque eles querem que você fique só lá, por que ele é complicado, o gaúcho tem dois times de futebol, ele não vota duas vezes no mesmo governador, e esse é um dos motivos da nossa música não avançar mais nas demais regiões. Hoje quem está trazendo a nossa música a esta e outras regiões é o imigrante que veio de lá.

JC: Você iniciou o show em Tapurah com a música ‘De Pai pra Filho’ que você canta com seu filho Pedro, hoje você está com 65 anos. O seu filho está pronto para ser o seu substituto no futuro?

ML: Eu não dou muita força, não dou muito incentivo por que acho que ele tem que estudar, preparar a cabeça, formar a sua personalidade e depois, se a música tiver que acontecer, que aconteça, mas por enquanto ele está estudando, pois é isso que eu quero que ele faça, mas se tiver que me substituir no futuro, será um prazer para mim também.

Eu tenho procurado dar o máximo de mim para deixar a todos os meus fãs e ao meu país tudo o que Deus me mandou fazer, depois, se vai ter substituto ou não é outro papo. Agora eu estou procurando fazer através da internet, e agora gravei um DVD (que será lançado em setembro) para levar ao povo os conhecimentos todos da minha terra, da minha origem e das minhas raízes. Isso não é uma coisa minha, se fosse eu poderia levar para o caixão comigo, mas não é meu, são coisas que aprendi com homens campeiros como o meu pai, por exemplo, então, eu tenho a obrigação de passar para os jovens aquilo que não é meu, que é da minha terra e que tenho que fazer por que Deus me mandou fazer.

JC: Durante o seu show você passa uma mensagem de fé e de paz ao público. Qual o objetivo desta mensagem?

ML: Eu acho que o povo precisa mais disso (mensagem de fé) do que da música. Hoje o povo precisa mais de conteúdo, o povo está vazio. Se nota que há uma necessidade de palco enorme por que as pessoas estão ocas por dentro, as crianças chegam ao ponto de matar os coleguinhas numa aula para ficar na história. Há necessidade de aparecer, há necessidade de palco e isso brota desde os políticos até os mais pequenos, por que nós estamos carentes, o homem está vazio, está sem crença e nesta pobreza toda é que surgem vários esteios, como, por exemplo, religião, política, sexo e dinheiro para poder comandar a sociedade, e é desta pobreza é que se enriquece estes esteios, quando na verdade o homem precisa enriquecer de si mesmo, de coisas importantes.

Eu não me vejo como músico, me vejo sim como um mensageiro e acho que a música vem apenas para dar o tom do evento e trazer o público, por que, se eu chegar dando palestra esta capinxada dispara tudo. A música veio para que eles (público e fãs) venham, e eu devagarinho vou tentando levar uma mensagem daquele homem bruto do campo, que é onde eu nasci, trazer com esta voz do campo uma mensagem positiva de Deus às pessoas. Assim vamos colaborando com o mundo e fazendo a minha parte, acho que isso é o mais importante.

JC: Você tem feito várias parcerias de sucesso no Rio Grande do Sul com artistas consagrados nos últimos anos. Pelo nível dos músicos e grupos que se formaram no seu Estado, a música gaúcha vive um bom momento atualmente para disseminar ainda mais a cultura gaúcha no Brasil inteiro?

ML: Acredito que sim, nós estamos neste caminho. Acho que pela primeira vez nós vamos conquistar o centro deste país, assim como o Nordeste conquistou, por que a música de raiz é muito difícil, diferente da música romântica que toca em todo o mundo, pois sempre tem alguém desguampado, e a música de raiz, quanto mais o tempo passa no mundo globalizado a gente vai perdendo muito ela, e aí ela se torna sem valor.

Nós temos uma coisa que nos tranca, e isso é lá mesmo (no Rio Grande do Sul), onde a metade ou mais do Rio Grande do Sul não são gaúcho, são rio-grandenses, pois Gaúcho é o estado de espírito, e lá a peleia é lá, gaúcho nasceu na guerra, se criou na guerra, vive na guerra e até hoje ele está questionando uma coisa ou outra. Antes era a Revolução maragato e chimango, era Revolução de 1893, sempre um contra o outro e isso impede que a nossa cultura avance para o centro do país, além do próprio centro que também não divulga as nossas coisas, pois podem ver que no programa do Faustão tem dança até de cabaré, mas não se mostra a dança de uma vaneira, ninguém dança um xote. Nós (gaúchos) somos ainda muito fechados, um pouco é culpa nossa e também culpa do centro do país, mas com a imigração, com este homem (gaúcho) que está vindo de lá (Rio Grande do Sul), da mesma forma que conquistou o Rio Grande do sul há 200 anos, estamos hoje conquistando o centro do país. Nós não conquistamos o Brasil com a guerra farroupilha, não conquistamos com a música, o que invadiu mais um pouco foi o Gaúcho da Fronteira, mas com o Vaneirão Sambado, que na verdade era um samba, mas perdeu o espaço lá (no Rio grande do Sul), então não foi música, quem está trazendo a nossa cultura para estas novas regiões do país é o homem que está vindo de lá e se misturando aqui com os cuiabanos, onde os filhos já saem com uma nova mistura das raças, como nós (gaúchos) já somos uma mistura de pelo duro com Italiano ou com Alemão, e aí o amor constrói. Então nós estamos vindo mais pelo amor, pelo trabalho e pela dignidade.

Baile é o maior evento realizado no CTG nos últimos anos

Desde a reconstrução do salão e concluída a readequação exigida pelo corpo de bombeiros, o show-baile com o cantor Mano Lima, realizado no último sábado (18) foi o maior evento realizado pelo CTG Carreteando Saudades nos últimos anos. Para o vice patrão do CTG, Flávio Zóttis o evento superou a expectativa.

“Nós tínhamos uma expectativa alta e conseguimos alcançar os nossos objetivos, vendemos todas as mesas disponibilizadas para o baile”, disse.

  Segundo Zóttis, agora a patronagem já está estudando uma nova promoção (baile) para o dia 14 de novembro, data esta que deverá ser referência para evento tradicional do CTG nos próximos anos. 

Veja fotos do baile clicando no link a seguir: https://www.caiabisonline.com.br/evento/33//

 



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